A verdade é que eu não quero um mundo novo. Gostava do meu mundo velho. Amava ele na real. Amava seus mares, suas praias, suas montanhas, suas trilhas, seus rios. sua neve, seu céu, suas tempestades, seus milhares de bichinhos que me faziam rir, chorar, e me impressionavam com sua inteligência…amava as aventuras que ele me proporcionava. Amava os dias bonitos onde tentava aproveitar cada raio de sol, cada sopro do vento. Amava os dias "feios" que de feio não tinham nada, e que me permitiam a descansar, a ficar de preguiça, olhar pra dentro. E não vejo a hora de poder estar junto do meu mundo velho sem restrições. 

 

Então pra mim…não quero um mundo novo. Quero co-habitantes novos pra esse mundo velho. Co-passageiros novos nesse nave foda transitando pelo universo, chamado planeta terra. Co-passageiros que respeitam não só o mundo velho, como também os outros passageiros. Co-passageiros que pensam nessa metáfora pro planeta. Numa nave, seja avião, barco, ou carro...você pensa no co-passageiro. Você pensa que se vocês caem, afundam, ou batem, todos dentro são impactados.  Impressionante que precisou de uma pandemia pra perceber como nossas ações podem impactar os outros, podem colocar os outros em risco. Mais que nunca é nos, e por isso quero pessoas que dêem valor a tudo que têm, que pensam nas consequências de primeiro, segundo, terceiro grau das suas ações.  Pessoas que percebem toda a magia ao redor (bro, estamos voando, rodando em cima de uma esfera de terra, agua, e fogo...CARAIO!). Pessoas que vejam que o tempo pode ser pra viver ou pra morrer, e que escolham viver dentro daquilo que é vida pra eles. 

 

Vendo pela ótica profissional, e tendo em mente que estou abrindo uma empresa agora, o mundo novo que eu desejo é onde as empresas vejam seus clientes como as pessoas que são, e não números ou estatísticas. E em que os clientes vejam as empresas pelo valor que geram, e não apenas gastos. Onde a visão de longo prazo e o correto, vem antes dos resultados do próximo trimestre. Onde o respeito pelo trabalho do outro, vem antes do desconto. Nesse período tivemos histórias de todos os tipos…empresas que abriram mão de resultados no curto prazo pra ajudar e empresas que aproveitaram para espremerem seus clientes ou que tentaram se preservar no presente a custos dos seus clientes. Clientes que apoiaram as empresas nesse tempo difícil, e clientes que não lembravam do valor que já tinham recebido e que vão querer continuar recebendo depois da pandemia. Essa troca de valores é uma via de mão dupla e vai muito além do dinheiro. 

 

Escrever isso foi mais difícil do que pensava. O coração apertou pensando em tudo que passou e de imaginar o que mais pode passar; o sofrimento pessoal, profissional. emocional. Fico feliz de não ter uma veia racional tão forte pois não me permite tentar contabilizar isso. Só sei que também vimos brilhos fugazes de pessoas se unindo, pessoas pensando no outro, pessoas criando, refletindo, e amando. Espero e torço que seja isso que transpareça no #MeuMundoNovo, no #NossoMundoNovo. 

 

                                                                            

Alex Liao Vilhena