Eu quero voltar para um mundo que pareça casa. não só minha. não só para alguns. casa que é nossa, que é pública, compartilhada. casa para todo tipo de gente.

 

casa para entrar e se sentir acolhido. acolhido por ser quem eu sou. bem aceito porque intolerância é palavra estranha. palavra que aqui a gente não diz, ela não não tem mais utilidade.

 

casa para saber que tenho para onde voltar e que isso é um prazer, não um martírio. casa para ficar à vontade e explorar todos os cantos, conhecer todos os vizinhos. 

 

casa para ser livre. livre para viver as minhas escolhas. livre para viver a minha natureza. tão livre a ponto de encontrar humanidade e amor no diferente.

 

Eu quero voltar para um mundo onde solidariedade não seja evento, mas sim cotidiano. Onde viver o egoísmo do eu já não faça mais sentido, afinal, eu entendi que preciso do nós.

 

e que nesses nós a gente se encontra, se entrelaça e finalmente entende que já não faz mais sentido ser o algoz do outro.

 

Eu quero voltar para um mundo onde o encontro físico seja possível, mas, acima de tudo, seja possível se encontrar naquele vínculo que temos de mais comum: a nossa humanidade.

 

Eu quero voltar para um mundo onde ela não possa ser mais negada a ninguém.


 

                                  Carolinne Arruda, 25 anos. cristã, mulher negra, gestora pública