A verdade - talvez a minha - é que tudo é muito incerto. 

O que chamamos de normal e o que esperamos que retorne ao normal, é verdadeiramente incerto. 

Estamos à deriva. Num barco que só conheceu o porto de partida com muitas possibilidades de chegada. 

 

Onde uma decisão envolve uma gama de infinitas outras realidades, ou melhor, possibilidades que não podem ser contempladas.

Talvez vivamos numa jornada de limitações, sem saber o que faz de cada um de nós único e diferenciados, mas que nos sugere alguma forma de recompensa quando tentamos ser o melhor que podemos. 

 

"E, se..." Uma famosa frase de um famoso filme que vi por aí. 

Na língua portuguesa, duas pequenas conjunções: adição e condição, respectivamente. 

Que podem, mais uma vez, adicionar e condicionar muitas experiências. 

 

Ultimamente, todos nós estamos experimentando uma versão resumida de desconforto, insegurança, escuridão... obrigados a conviver e reaprender a estar conosco e com os que nos cercam.

O inferno não são os outros. O inferno somos nós mesmos. 

E a dificuldade de administrar a transitoriedade de não estamos aqui por acaso. Muito menos, não tão perdidos quanto imaginamos.

 

A simples limitação em reconhecer não ter limitação. 

Por um segundo, avaliarmos que somos, seja fisicamente ou intelectualmente, maiores do que julgamos ser.

Fisicamente, impossível visualizar tudo o que somos - não somos capazes nem de ver nosso próprio universo por dentro. 

Intelectualmente, temos ideias, aspirações e não as paramos de ter se nos permitirmos. 

 

Seria oportuno ou recompensador se pudermos dizer a cada um daqueles a que dizemos um breve adeus que, apesar de tudo, nós vencemos. 

 

Vencemos o medo dos dias sombrios, da solidão forçada, de abraçar a nós mesmos com carinho e ir aparando as arestas diariamente.

Que evoluímos e adquirimos o superpoder de simplesmente sermos. Com erros e acertos. 

Indivíduos diferentes e únicos, que merecem destaque e reconhecimento pelo simples fato de existir com suas capacidades. 

Mais que isso, que conseguimos isso juntos. 

Num grande momento de mudança, onde cada um foi cobrado a se reinventar.

Pequenas partes que fazem o todo mais forte e especial. 

 

Utopia dessa autora dizer que, ao chegar no fim dessa jornada diária de começo e recomeço, venceu. 

Venceu por enxergar a grandiosidade de se conhecer e tornar isso o seu mais novo normal. 

Venceu por perceber quão precioso é o momento em que sol toca a sua pele.

Venceu por se permitir arrepiar ou expressar um sorriso de canto de boca por alguma memória que já estava esquecida.

Venceu por encontrar as poesias mais lindas nos olhos de pessoas que já tinham esquecido de si mesmas.

Mas que, por enquanto, só se assegura de não ter rumo a seguir, e apenas busca ser e oferecer o melhor que pode em suas tarefas diárias.

 

Posso não saber como você está aí agora. Mas espero que, quando tudo isso recomeçar, você encontre algo de bom, mas principalmente, seu para chamar de normal.

 

Débora Guimarães, 25. Gestora Pública, assistente financeira na @rsmbrasil,

sonhadora e insegura, também conhecida como @debiguims